segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Cor no espaço interior

A cor afecta todos os aspectos da nossa vida, até o nosso corpo, porque podemos ter um aspecto saudável de faces rosadas, podemos ficar vermelhos de tanta raiva ou até brancos de tanta palidez. As cores são muito importantes porque os nossos sentidos visuais estão muito desenvolvidos. Cada olho contêm 37 milhões de receptores sensíveis à luz e as cores na luz afectam as nossas hormonas, a nossa saúde e a nossa disposição. A preferência da cor começa na nossa infância aos 5 anos e mais tarde aos 13, 14 anos sofrem uma reviravolta deixando a preferência dos vermelhos e amarelos para os azuis e verdes. Nem todos gostam das mesmas cores.
O maior efeito sobre a cor provem da luz, nós só percebemos a cor a partir da quantidade de luz que absorve e reflecte. A cor muda dependendo da orientação Solar da divisão (Norte, Sul, Este e Oeste), de facto, até muda durante o dia; ao meio-dia fica azul e ao fim de tarde vermelha. Assim uma sala virada a noroeste tem tendência a ser fresca, por isso, precisa de tons calorosos e vice-versa.
A nossa percepção de espaço interior define-se por colunas, traves, soalhos, paredes e tectos. Um espaço de cor homogénea fá-lo parecer maior, pois as diferenças entre paredes, tectos e soalhos desaparecem, o que significa que a divisão deixa de ter limites.
A cor aplicada na arquitectura deve condizer com a sua função do espaço e esta está intrinsecamente ligada com a luz. Por exemplo: uma cozinha de famílias agitadas funciona melhor com cores relaxantes ao passo que os solteiros modernos podem usar cores mais teatrais.











Cores vivas nem sempre funcionam em casas de banho muito menos se pretender relaxar num banho de espuma. Na verdade se pintar uma divisão de uma só cor e outra divisão distinta da mesma cor elas teriam um aspecto completamente diferente. No que diz respeito aos quartos não se deve optar por cores vivas como o vermelho ou o amarelo, o mesmo passa-se nas cozinhas em que cores fortes fazem-nos aquecer demasiado e deixam-nos inquietos.











Exemplo: nos restaurantes usam cores frias na mesas e cores vivas em todo o resto, que inicialmente são convidativas e fazem-nos sentir fome mas também tem o efeito de acelerar os hábitos alimentares e pressionando as pessoas a deixarem o local mais depressa.
Cores contrastantes, opostas, tornam-se vibrantes pois realçam-se mutuamente. As cores tornam-se harmoniosas quando pertencem à mesma família de cor.

As cores fortes devem ser destinadas a divisões menos usadas como entradas ou quando se pretende um ambiente mais intimo como um escritório.











A maioria das pessoas repara que cores fortes como vermelhos e amarelos tem um impacto físico na forma como encaramos um espaço. Estudos comprovam que o corpo humano tende a aumentar a sua temperatura perante uma sala azul que levou a ondas alfa e delta mais elevadas associadas ao descanso (cromo-dinâmica) ao passo que numa sala vermelha tende a baixar em 2º, a actividade das ondas cerebrais aumenta bem como a arritmia.
Cores arrojadas fazem o espaço parecer mais pequeno ao passo que cores mais subtis fazem a casa parecer maior. Materiais rígidos e cores suaves maximizam o reflexo de luz e automaticamente o espaço. Materiais com textura ou cores fortes absorvem a luz e fazem o espaço parecer menor.










O uso apropriado da cor e o conhecimento de algumas técnicas de aplicação da mesma pode beneficiar o espaço arquitectónico.
Por exemplo: paredes pintadas com faixas orientadas na horizontal fazem o espaço parecer mais comprido ao passo que as faixas orientadas na vertical fazem o espaço parecer mais alto.










As cores fortes de frente para o olhar em paredes curtas diminui a profundidade mas aumenta a largura de uma sala. Assim como o contrário, se forem colocadas cores fortes nas paredes mais compridas fica-se com um efeito de um corredor comprido e longo. As cores escuras no tecto ou no chão reduzem todo o espaço.











Com estes exemplos é fácil perceber como a cor afecta o nosso sistema, enganando o cérebro através do olhar.

-Interiores Comerciais
O príncipe Carlos observou uma vez que os ambientes interiores com mais suporte são aqueles que refletem o mundo natural. Estava completamente correcto; nós somos condicionados profundamente a adaptar o nosso comportamento às cores ao nosso redor. Assim, compreender os efeitos psicológicos da cor nos interiores pode dramàticamente aumentar as vendas, produtividade e eficácia. Uma vantagem adicionada é que a psicologia da cor pode ser aplicada a custo mínimo em relação ao seu efeito - se estiver a pintar um quarto, a cor da pintura não faz nenhuma diferença ao orçamento.

-Interiores De Empresas
O Sistema dos efeitos da Cor funciona primeiramente definindo a melhor família de tonalidades de cores para capturar a filosofia da empresa e para criar um ambiente único. Em seguida, nós avaliamos a actividade requerida em cada área, a fim recomendar as cores dominantes mais apropriadas para cada um, e construímos esquemas equilibrados em torno daquelas cores. Cada tom ou mate são extraídos da família escolhida da cor de modo a que os valores e a filosofia incorporados sejam expressados consistentemente durante todo o edifício. Desta maneira, todas as cores no edifício trabalham em conjunto e a empresa pode ainda beneficiar-se de uma determinada quantidade de estandardização e de flexibilidade. Como exemplo, no edifício de escritório de uma empresa grande, os artigos caros tais como tapetes podem ser os mesmos em todo o edifício, com tapetes mais ou menos caros em cada departamento a suportar o que o específico do departamento necessita; o departamento das vendas deve ser um lugar que suporte e incentive o entusiasmo; a concentração e a exatidão do departamento de clientes; Recepção de uma boa vinda amigável.

-Escolas e hospitais
Porque a cor tem um efeito poderoso em como nós sentimos, e influenciamos o nosso comportamento, claramente duas aplicações importantes da psicologia da cor no projecto interior são escolas e hospitais. Ambos podem ser ambientes muito stressantes mas muito pode ser feito com a cor para aliviar, por o exemplo, a preocupação e o medo, e para realçar também a concentração, a felicidade e o relaxamento.
“O modelo virtual em grandes dimensões também se distingue por ser ambientavelmente sustentável – uma vez que não é construído. As técnicas de visualização e simulação permitidas pelas novas tecnologias de informação e comunicação têm sido usadas predominantemente na imitação dos métodos de trabalho tradicional.”

Harold Linton
“ Realidade virtual será uma ferramenta do futuro para o design da cor. No entanto, presentemente, é um desafio porque a cor representada pela realidade virtual não é tão verdadeira como poderia ser.” – Donna Cox

Corbusier
Jogos de luz nos vazios:
Nas igrejas a luz tem um papel primordial – a excitação visual resultante do impacto da cor, luz com o ambiente envolvente.

Frank Gehry
Na concepção do museu Guggenheim há procura de novos materiais, capacidade de transmissmissão de luz e o seu impacto no meio onde se insere.
Sistema NCS

Este sistema é o uso da cor no espaço urbano em que a cor tem uma função cultural: “Cor é cultura”